O artigo de hoje foi sugerido por um de nossos leitores. Achei interessante o tema e meditei sobre o assunto para tornar a resposta compreensível e didática já que se trata de um caso tão específico.

O comentário dele foi exatamente esse: “Casais de namorados que participam de uma célula, e acabam terminando seu relacionamento. Os dois ficam na célula? Um sai e o outro fica? Os dois saem? Como lidar nessa situação.”

Eu nunca vivenciei uma situação semelhante em uma célula. Mas, o caso já aconteceu comigo dentro de um departamento na Igreja. Eu e meu ex-namorado trabalhávamos juntos no mesmo departamento e depois de um tempo namorando, optamos por não levar o relacionamento adiante. Não foi uma decisão simples, bem como suas consequências.

Conviver com uma pessoa em um nível de relacionamento quando se estar acostumado a um nível mais íntimo, não é tarefa das mais simples, sobretudo quando o departamento exige convivência em outros dias além dos dias de culto.

Foi necessária muita convicção a respeito do chamado individual de Deus para nossas vidas e assim nos mantivemos firmes e servirmos a Deus no espírito conforme Rm. 1: 9, desconsiderando as vontades e os sentimentos para não desistirmos. Depois de um tempo assumimos rotinas independentes e percebemos que todo o ocorrido cooperou para o nosso crescimento em Deus.

A primeira coisa a ser considerada é que o líder não pode tomar partido. Ainda que o relacionamento tenha se findado por uma contenda e haja um errado, o líder deve ser neutro, pois trata-se de algo muito pessoal.

Se ambos vierem aconselhar-se com o líder, o líder deverá ouvi-los e orienta-los na palavra corrigindo posturas e comportamentos se necessário for, sem feri-los, pois eles já devem estar bastante magoados. O líder deverá também incentiva-los a discernirem a vontade de Deus para suas vidas. Se apenas um vier ao líder, por dever de consciência, o líder deverá conversar com o outro para estar a par dos dois lados da história e assim não gerar nenhum tipo de favoritismo.

A decisão de ficar ou sair dependerá de cada uma das partes envolvidas. Se ambos tiverem um excelente vínculo com a Célula e optarem por ficar, eles deverão ser conscientizados pelo líder que embora se levantem pressões, eles deverão ser fortes e maduros em Deus para permanecer sem reagirem de forma que comprometa o grupo, sem fofoca, sem lembranças do passado, sem insultos, ciúmes e etc.

Se um dos dois optar por sair, é importante que o líder acompanhe a transição dessa pessoa para outra célula de maneira que haja garantia de que ela não irá se perder, afinal, Deus tem total interesse nessa vida e em sarar suas emoções.

E se a pessoa que encerrou o relacionamento com alguém da mesma célula for o líder? Bem, a resposta a essa pergunta vem como uma vacina para nós que lideramos. Muitas vezes estamos a frente de um grupo misto (homens e mulheres) e há sim a possibilidade de nos apaixonarmos por um de nossos liderados (a).

Isso é completamente lícito desde que haja um aval de Deus e da sua liderança. Eu conheço um escritor americano que iniciou uma célula em sua faculdade e no primeiro dia, uma garota não crente participou e se interessou tanto pelo estudo que ele ficou a tarde toda numa área pública tirando algumas dúvidas dela a respeito da palavra.

Esse jovem, na época, ganhou essa jovem para Jesus. No processo do discipulado se apaixonou por ela e um ano e meio depois daquele encontro casual, eles estavam casados e já faz mais de 30 anos que vivem uma linda realidade de amor. Há outros casos, porém, que o final não foi tão feliz assim.

A responsabilidade maior nesses casos, recai sobre os ombros do líder. Espera-se de nós que estamos numa posição de liderança, uma maturidade maior e uma super visão para tomada de decisões que envolvem o sexo oposto. E não é pra menos, Deus compartilhou seu legado conosco e nos habilitou para fazermos sempre as melhores escolhas.

Somos uma referencia para aqueles que estão abaixo de nós. Portanto, sejamos cuidadosos com essa área, para não frustrarmos aqueles que estão ao nosso redor. É interessante entrarmos em um relacionamento amoroso com alguém da nossa célula quando temos a convicção pelo espírito de que será algo duradouro e quando também é aprovado pela nossa liderança, porque assim temos uma testificação de que a vontade de Deus se aplica nesse novo passo.

Na dúvida, sempre vale a pena esperar, porque o tempo tudo prova e o amor TUDO ESPERA.