O encargo de um supervisor de células

O encargo de um supervisor de células8

Você já ouviu falar do supervisor? Sabe o que ele faz? Qual é o seu papel? É muito comum nos processos gerenciais de uma empresa a função de supervisão, e ela ganhou destaque nas igrejas que trabalham em células. Vamos então estudar um pouco sobre essa nobre função.

O dicionário do Google define o supervisor (gerente) como aquele:

“…que tem como principal função planejar e desenvolver estratégias e processos. Além de ter a capacidade de liderar os colaboradores, o supervisor também deve conhecer a fundo todos os processos do trabalho em que está envolvido. Desta forma, ele garante o bom resultado dos mesmos e a eficiência dos funcionários.”

O supervisor é aquele que deve conhecer e participar diretamente da eficiência do processo. Pense comigo que quando há uma falha nesse processo de monitorar o desenvolvimento de um trabalho você prejudica toda uma cadeia.

Foi isso que aconteceu em Israel, pós Egito, no deserto. Moisés trabalhava, concentrava nele diversas funções. Ele era o embaixador de Deus, o juiz, conselheiro, presidente, legislador, pastor, marido, pai… Uma pessoa sozinha não pode realizar um trabalho com a excelência esperada.

Um dia o sogro de Moisés, Jetro, foi visitá-lo (Exôdo 18) e percebeu que ele andava muito ocupado, concentrava nele diversas tarefas e no fim não estava conseguindo atingir seu principal chamado. A partir de sua observação, Jetro, aconselhou Moisés. Nasceu então, a função dos supervisores:

“Mas escolha dentre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, dignos de confiança e inimigos de ganho desonesto. Estabeleça-os como chefes de mil, de cem, de cinquenta e de dez. Eles estarão sempre à disposição do povo para julgar as questões. Trarão a você apenas as questões difíceis; as mais simples decidirão sozinhos. Isso tornará mais leve o seu fardo, porque eles o dividirão com você. Êxodo 18:21,22

É fato que ninguém consegue carregar um processo todo nas costas. Vamos pensar comigo na profissão de editor de vídeos. Para um vídeo chegar em uma plataforma como o YouTube, é necessário passar antes por um processo.

Quem pensa que é só filmar algo e subir para internet está enganado, talvez por isso muitos começam e logo desistem do processo.

Vamos retomar nossa linha de pensamento. Para uma instituição que sobrevive financeiramente da publicação desse tipo de material, não dá pra ficar refém de apenas uma pessoa, certo?

E porque? Porque todo aquele trabalho exige: um brainstorm advindo de uma equipe, alguém que vai escrever o roteiro (conteúdo) do que vai ser abordado naquele vídeo, outro que vai preparar todo material usado em uma gravação (iluminação, câmeras, cartão de memória, baterias etc), quem vai apresentar o conteúdo, outro que vai filmar, outro que vai logo depois editar, e por fim outro profissional que vai subir na plataforma e distribuir nas redes sociais.

Ufa! Olha que nem sou da área e abordei diversos processos, pode até ser que tenha me esquecido de alguns, o fato é que para se obter todo esse resultado alguém precisa estar gerenciando todo o caminho para seu sucesso final.

Nos últimos 20 anos a Igreja brasileira enfrentou um salto de crescimento significativo, as igrejas passaram de pequenos prédios para serem grandes igrejas, ou seja, o número de pessoas que creram em Jesus aumentou bastante.

Principalmente porque se encontrou uma chave na conquista de almas através do trabalho nos lares, lugar onde é muito mais fácil convidar alguém para falar de Jesus, do que no contexto de uma Igreja.

Os pastores, diante de tais resultados colhidos, não conseguiram realizar todo trabalho de discipulado sozinhos, foi preciso aprender com o conselho de Jetro e técnicas modernas da administração.

Nesse ínterim, surgiram os supervisores, aquelas pessoas que primeiramente receberam uma célula, um grupo de pessoas para pastorear, prover cuidado, instrução e logo conseguiram com muito trabalho, paixão e dedicação multiplicar esse grupo para outras casas.

É preciso, portanto, trazer luz sobre esse encargo desafiador de supervisionar. Prefiro nomear essa função, não apenas como trabalho, ou um título, mas como o “encargo de supervisor”.

O encargo é algo que alguém toma para si como uma responsabilidade pessoal, como um chamado, com uma disposição incansável de trabalho, de cooperar, de levantar outros, de ver o evangelho florescendo e alcançando mais vidas.

Eu digo para você que é um prazer fazer tudo isso, já tem mais de 10 anos que supervisiono o trabalho de células.

Hoje, juntamente com minha esposa Luana, somos pastores da Paz Church Palmas, e esse encargo começou justamente com o trabalho apaixonado liderando células e por fim cuidando de grupos que foram sendo acrescentados a nós através da multiplicação.

Poderia ficar contando para você, por horas, histórias de vidas sendo transformadas e líderes fortes sendo levantados para glória de Deus.

Queria diante de tudo isso fazer alguns apontamentos sobre esse nobre encargo. Gostaria de desenvolver esse item citando funções do supervisor com os temas de cinco capítulos do livro “Seja um supervisor de células eficaz” do especialista no assunto Joel Comiskey (Editora Ministério Igreja em Células, 5ª Edição, Junho 2013).

Vejam que esses cinco pontos estão todos relacionados diretamente com os líderes e supervisores de células (pois há níveis onde há escala de supervisão de supervisores).

Ouvem e encorajam

Considero importante que o supervisor de modo nenhum seja, como a pessoa que exemplifiquei acima, aquela que acha que conseguirá ter um canal de sucesso na internet fazendo tudo sozinha.

Pelo contrário o supervisor de sucesso é aquele que trabalha cuidando e pastoreando os líderes debaixo de uma cobertura. Ele ouve os anseios dos líderes, eles são os pastores diretos desses líderes, se o líder tem desempenhado um bom trabalho, esse é sem dúvida uma vitória de todo corpo.

Pois caminhando dessa forma aprendemos que ninguém pode trabalhar sozinho. Todos devem prestar contas de suas atitudes. Portanto nos momentos mais difíceis, pois todos temos momentos assim, os supervisores vão perceber e poder ajudar intencionalmente aquele líder a romper.

Formam e treinam

Um grande erro de quem supervisiona é fazer como em uma clínica de odontologia, o paciente senta na cadeira e dentista pressiona com o pé a alavanca para a cadeira subir.

O supervisor ao ser “promovido” deve continuar a mentoria e discipulado, treinando seus líderes para continuarem com êxito o trabalho de liderar e discipular pessoas.

Seu trabalho, agora, aumentou, ele cuida de mais líderes, tem mais pessoas debaixo de seu cuidado.

Portanto, ele incentiva os líderes a lerem ou assistirem conteúdo para que cresçam na matéria de liderar.

Se sua Igreja for como a minha esse supervisor, na reunião de líderes, tem um tempo para investir em seus discípulos de forma estruturada para motivar, edificar e construir sobre pontos positivos e sobre pontos que necessitam de reparos.

Cuidam dos líderes

Discipulado é imprescindível para o coração de um líder, afinal ninguém pode andar sozinho. A palavra discipulado deriva da palavra discípulo, que é um aluno.

Todos precisam do cuidado de perto, de orientação nas diversas áreas da vida, pois se estamos cuidando de vidas devemos ser um espelho e um testemunho para cada um deles.

Infelizmente, quantos na posição de liderança feriram pessoas por não ter uma vida totalmente quebrantada e rendida ao Senhor? Quantas vezes já não ouvimos de casos onde as pessoas desistiram de processos? E porque desistiram? Prestaram contas pra alguém do que aconteceu, do porque estão recuando?

Só um discipulado eficiente com os princípios bíblicos pode incentivar e motivar alguém na jornada da liderança.

Desenvolvem estratégias

Eu sou o tipo de supervisor que gosta de dar espaço para o líder, para suas ideias (já fui muitas vezes inflexível), para executar um plano que ele tenha arquitetado (lógico, mediante os princípios que dirigem o governo da igreja local).

Na falta de experiência o supervisor entra auxiliando, dando estratégias e esperando o resultado do lançamento das sementes com a expectativa da colheita.

Muitos supervisores podam os líderes na época errada, não dão direção e no fim perdem diamantes que ainda não conseguiram lapidar.

Para exemplificar tal ponto me lembro de uma lançar uma estratégia do “Eu e + 1”, trabalhamos para fazer uma festa, em que cada célula ia trabalhar com suas ovelhas para trazer mais uma outra, foi um grande sucesso!

Dê a direção e logo você verá os sonhos projetados se tornando realidade.

Desafiam

O desafio nunca virá como um presente que você esperou tanto.

Quando você aprender a desafiar seus líderes, você constrói neles líderes de princípios. Você, como supervisor precisa na caminhada com seus liderados, estimulá-los a romper em áreas onde nunca pisaram.

O desafio tem que mexer com medos, inseguranças. Ele vai levar aquela pessoa a vencer, a descobrir que estimulada da maneira correta ela conseguirá fazer o que jamais pensava em realizar.

Por fim depois de ter enfrentado o “gigante” ele valoriza todo aquele processo de obediência que com certeza gerará muitos frutos. No meu processo, meu discipulador me estimulou a ser uma pessoa menos inflexível e mais sorridente, aberta, aprendendo a dizer mais a palavra “sim” e menos a palavra “não”. Uau! Cresci tanto nisso que pouco tempo depois deslanchei.

Por fim gostaria desafiar e estimular você que supervisiona células e líderes e que também será um dia um supervisor, a continuar rompendo, acreditando em pessoas, até se for preciso paralelamente ao trabalho de supervisão, gerar uma célula nova para continuamente girar nesse ciclo de ganhar – pastorear – treinar – edificar e enviar novos líderes.

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