Em Gênesis 11, Moisés nos conta uma história épica e, aos olhos naturais, até difícil de acreditar! Naquele tempo, os povos falavam a mesma língua, todos usavam as mesmas palavras e um dia eles conversaram entre si sobre a possibilidade de utilizar novos recursos para construírem uma nova cidade com uma torre que chegaria até o céu.

A primeira pergunta que me vêm a mente é: Pra quê? O verso 4 do capítulo 11, nos responde: “…Assim ficaremos famosos e não seremos espalhados pelo mundo inteiro.”

O decorrer do texto nos conta que Deus desceu dos céus para conferir aquela construção e Ele mesmo atestou que todos estavam indo bem porque se tornaram um e falavam a mesma coisa, por isso não haveria nenhum tipo de restrição para eles.

Aparentemente, Deus parece elogiar a forma como esses povos se conduziram para alcançar um objetivo. Porém, a resposta de Deus após reconhecer o potencial dessa unidade em nada colaborou com a conclusão do projeto. O próprio Senhor atrapalhou a comunicação entre eles e isso ocasionou a dispersão desses povos.

Há um tempo tenho meditado sobre essa história, pois, ela nos fala sobre um reconhecimento positivo da parte de Deus somado a uma medida corretiva. Isso nos mostra que para Deus, não importa apenas o resultado final, mas sim o modo como se alcançou o objetivo e as intenções do nosso coração em todo esse processo.

No texto citado, Deus foi contra a intenção desses povos, mesmo que eles estivessem fazendo algo lícito e da forma correta. Mas a intenção estava longe do Seu coração, afinal, o versículo 4 nos deixa claro que todo esse esforço pretendia trazer glórias para eles e combatiam uma ordenança dada por Deus desde o início quando Ele criou o homem. Em Gênesis 1: 28 (versão NHTL) “e os abençoou dizendo: Tenham muitos filhos; espalhem-se por toda a Terra e dominem…”

O que isso tem a ver com célula? Tudo. Quando pensamos em fazer algo para o Reino, sobretudo algo que envolve liderança e mentoreamento de pessoas, precisamos constantemente avaliar as intenções do nosso coração. Certamente seremos provados pelos elogios que recebermos e pelas boas obras que temos desempenhado no esforço de ganhar vidas, edifica-las, treina-las e envia-las.

Há um grande risco de começarmos construindo algo para o Reino e terminamos canalizando os “louros” ou os “lucros e dividendos” para a nossa própria vida, afinal de contas é o “MEU ministério.” Essa palavra vem como admoestação e como um alerta para não sermos corrompidos por essas ervas daninhas.

A ordem de Deus é clara: “Ide por todo mundo e fazei discípulos em todas as nações…”(Mc. 28:19). E a estratégia celular não admite um clã, uma “panelinha”, um grupinho com interesses comuns fechado à entrada de pessoas diferentes.

Ao liderar uma célula, não estamos construindo o NOSSO ministério, a nossa cidade, a nossa Torre. Estamos estabelecendo algo fundamental para o Reino. Estamos sim desenvolvendo o dom que Deus nos deu, mas vale lembrar: foi Deus quem nos deu! E por isso, temos ferramentas, habilidades, referencias e oportunidades de construir algo para o Reino.

Às vezes, percebemos uma certa resistência para a multiplicação. As pessoas parecem tomar partido, tornam-se seletivas sobre quem receberão em seus grupos, ou se vale a pena se submeter a orientação da liderança e etc. Muitos até estão considerando a vontade de Deus diante de tais pensamentos, mas esquecem-se de que Deus não está tão interessado no serviço o quanto Ele está interessando em quem estamos nos tornando enquanto servimos.

Acredito que uma autoavaliação cai bem neste momento. Se somos daqueles que questionam qualquer postura da liderança, que utilizamos o nosso poder de influencia para distrair as pessoas do que está sendo proposto pela visão, se estamos sempre à espera de uma oportunidade maior, se estamos apontando sempre os nossos esforços, exaltando o quanto fazemos com vistas a um reconhecimento humano e apoiando iniciativas de juntar e agregar pensando apenas em algo numerosamente grande para atrair a atenção de todos, possivelmente não estamos construindo para o Reino.

Cuidado! A cidade do 1º texto bíblico citado chama-se Babel, e no final das contas ela recebeu esse nome porque foi reconhecida pela intervenção divina que anulou o propósito de corações errantes.